“Mãos gigantes” chegam ao Palácio Guanabara e ao Shopping Leblon

sáb, 17/04/2021 - 11:50h - Capital

Compartilhar:

Obras de mais de 2 metros de altura em formato de pares de mãos representam a superação das dificuldades de 2020 e a esperança de retomada da normalidade em 2021. Intervenção urbana integra a campanha Rio de Mãos Dadas, do Sistema Fecomércio RJ.   

 O Palácio Guanabara e o Shopping Leblon exibem, a partir de segunda-feira, 19 de abril, as “mãos gigantes” da campanha Rio de Mãos Dadas, conjunto de iniciativas do Sistema Fecomércio RJ (Sesc RJ e Senac RJ) que visam a envolver as pessoas em um clima de positividade em 2021 para superar o difícil ano que passou.

Confeccionadas com fibra de vidro, cada obra tem mais de 2 metros de altura e o formato de duas mãos, trabalhadas por dez artistas locais. São eles Agrade Camíz, Bruno Awful, Cláudia Lyrio, Igor Nunes, Loo Stavale, Márcia Falcão, Maria Amélia Diegues, Mario Band´s, Robnei Bonifácio e Yhuri Cruz.

A mostra fica até o dia 13 de maio e, assim como nas fases anteriores da intervenção, as mãos serão posicionadas, primeiramente, separadas, simbolizando as privações impostas pela pandemia. Nos dias 26 (Palácio Guanabara) e 27 de abril (Shopping Leblon), serão unidas, representando a esperança da retomada de contatos, planos e afetos este ano. Algumas destas esculturas, que já ocuparam 20 pontos da cidade desde 19 de fevereiro, irão em seguida para o Palácio da Cidade.

“A intervenção urbana está sendo uma oportunidade de comunicar à sociedade que a Fecomércio RJ, o Sesc RJ e o Senac RJ estão de mãos dadas com a população fluminense neste momento adverso. Ampliar a visibilidade do símbolo de união em novos pontos da cidade é uma forma de fortalecer o nosso compromisso com milhares de pessoas, de levar serviços de cultura, educação, capacitações, ações sociais e oportunidades a todos”, explica o presidente da Fecomércio RJ, Antonio Florencio de Queiroz Junior.

Em fevereiro, as peças ficaram expostas no calçadão de Copacabana, Largo da Carioca, Mercadão de Madureira, Barra da Tijuca, Aterro do Flamengo, Lagoa Rodrigo de Freitas, Central do Brasil, Calçadão de Campo Grande, Tijuca e Arpoador. Até domingo, dia 18 de abril, ainda podem ser vistas na Rodoviária do Rio, Bondinho do Pão de Açúcar (Morro da Urca), Hotel Fairmont (Av. Atlântica), Terminal Alvorada, AquaRio, RioStar – Roda Gigante, BioParque (novo zoológico), Trem do Corcovado (Estação Cosme Velho), Estrada das Paineiras e RioGaleão – Aeroporto Internacional Tom Jobim (Terminal 2).  

Além da intervenção urbana, a campanha Rio de Mãos Dadas prevê para este ano exposições itinerantes, maratonas virtuais, cursos adaptados ao “novo normal”, Prêmio Fecomércio de Cultura e uma Edição Especial do Prêmio Visão Consciente, entre outras atividades.

SOBRE AS OBRAS E OS ARTISTAS

Obra: COADUNAÇÃO

Conceito: “O que vemos dentro das mãos, na sucessão de formas encaixadas, é uma espécie de “janela abstrata” que remete às profundezas que possam habitar a interioridade destas mãos.”
Material: pintura mista
Artista: Mario Band´s – indicado ao Prêmio Pipa 2017, realiza obras marcadas pelo intenso uso da geometria e precisão no trabalho das cores, luzes e sombras. Utiliza a técnica do Grafitti para deslocar elementos, atrair, confundir e trair o olhar do espectador com a inserção de novas formas, nos diversos suportes que utiliza. 

PALÁCIO GUANABARA (9 OBRAS)

Obra: CUIDA

Conceito: mãos pintadas de preto, com a palavra “você” pintada de branco nas palmas e na parte de fora das duas mãos.
Material: pintura em spray
Artista: Agrade Camíz (Camila) – cresceu no conjunto habitacional IAPC, localizado às margens da favela do Jacaré na Zona Norte carioca e produz intervenções na rua há 9 anos, pintando murais, graffitis, passando inicialmente pela pichação. Atualmente desenvolve pesquisa sobre estética do subúrbio do Rio de Janeiro, utilizando expressões, formas e signos da cultura local e da habitação popular.

 Obra: A VIDA PRESENTE

Conceito: obra intitulada a partir do último verso do poema “Mãos Dadas”, de Carlos Drummond de Andrade.
Material: pintura mista
Artista: Cláudia Lyrio – a artista natural do Rio de Janeiro, pesquisa o ciclo da vida e a natureza em uma narrativa onde a paisagem emerge como protagonista e o pensamento da cor é um dos eixos de significado. É formada em Pintura e Letras (ambas pela UFRJ), tem Especialização em História da Arte e Arquitetura no Brasil (PUC-Rio) e Mestrado em Literatura Brasileira (UFRJ).

Obra: MANIFESTO PÓS-VANDALISMO

Conceito: envelopamento das “mãos” por meio de uma grade de ferro, cortada na altura dos dedos e um pouco na base, transmitindo uma ideia de rompimento, de quebra de ordem.
Material: pintura mista
Artista: Igor Nunes – graduado em Design Gráfico pela ESPM, no Rio de Janeiro, e em Pintura e Desenho, pela A.R.C.O., em Lisboa, Portugal. Integrou diversas exposições coletivas nos dois países. Em 2015 ganhou o prêmio Spoleto ArtRua e em 2020 pintou um mural em um antigo armazém tombado na Zona Portuária do Rio. O artista investiga o que há para além do muro, explora o espaço urbano, questões relacionadas à subversividade, a quebra de ordens pré-estabelecidas, o deslocamento geográfico e a crítica social.

Obra: FEITO COM CARINHO

Conceito: projeto que debruça o olhar sobre os impressos que permeiam o cotidiano coletivo, relembrando os passeios na praça, as festas de rua, os parques de diversão itinerantes.
Material: pintura acrílica
Artista: Loo Stavale – artista, mestranda em Processos Artísticos Contemporâneos pela UERJ, bacharel em Gravura pela Escola de Belas Artes/UFRJ.  Participou de ações e exposições como ArtRua – Mostra de Arte Urbana, ocupação periódica do muro do Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, Boreart, Sesc Tijuca e Festival de Inverno no Sesc Teresópolis, Deu na Telha no Complexo do Alemão, CMHO, entre outras.

Obra: FLUXOS

Conceito: Coração; Raízes; Olhos (mãos que tocam, suportam, apoiam; olhos que veem, observam, cuidam; raízes que fincam, procuram, firmam-se).
Material: pintura mista
Artista: Bruno Awful – graduando em Artes Visuais pela UERJ, desenvolve uma produção visual que formaliza seu olhar sobre relações de fissuras entre cidade, humanidade, corpo e poder em artifícios visuais viscerais, por meio da pintura, gravura e da produção de objetos.

Obra: CULTURA NA BORDA DA PALMA DA MÃO

Conceito: A pintura será feita de tal maneira que no momento do encontro das mãos, os casais “dancem” unindo essas duas potências culturais tão marcantes para os movimentos negros da cidade, trazendo a ideia de união e harmonia pela cultura.
Material: pintura acrílica e resina
Artista: Márcia Falcão – artista plástica graduada em Pintura pela UFRJ. Um dos temas recorrentes em seus trabalhos tem sido a problemática feminina vista através de experiências pessoais tendo o Rio de Janeiro como cenário, ora belo e poético, ora violento e assustador. Passeando pelo grotesco assume a linguagem figurativa como meio para transmitir críticas à contemporaneidade.

Obra: NAS NOSSAS MÃOS

Conceito: representação da beleza natureza através da flora e fauna marinha e terrestre, e na responsabilidade que temos com o Planeta.
Material: pintura mista
Artista: Maria Amélia Diegues – formada em Paisagismo pela escola de Belas Artes da UFRJ, transita por diversas técnicas, algumas artesanais como aquarela, lápis de cor, serigrafia, assim como em computação gráfica. Seu trabalho é colorido e de formas orgânicas ligadas à natureza como flores, vegetais e animais. Influência da sua formação original e de sua vivência com as coisas da cozinha e confeitaria muito presentes em sua vida.

Obra: HINTERLÂNDIA É O CENTRO

Conceito: “Com as cores da bandeira da cidade do Rio de Janeiro, usarei os nomes de diferentes bairros para comentar sobre zonas da cidade que até têm algum contato, mas nem sempre se encontram.”
Material: pintura acrílica
Artista: Robnei Bonifácio –  Formado em Gravura pela Escola de Belas Artes da UFRJ e mestre em Linguagens Visuais pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da UFRJ, vive, trabalha e transita entre Rio e Nova Iguaçu. Em seu trabalho investiga maneiras de dialogar com espaço urbano por meio de desenhos, pinturas, propostas educativas e intersociais, abordando o subúrbio como território central para a produção de afetos

Obra: FUGA E FÚRIA

Conceito: inspirado nos estudos de quiromancia, reflexologia e mapa das mãos para traçar paralelos com historiografias e subjetividades afro-diaspóricas.
Material: pintura mista
Artista: Yhuri Cruz – artista visual e escritor, nascido em Olaria, no RJ, em uma família de matriz afro-brasileira. Seu trabalho consiste em promover a intersecção entre sua herança ética e estética familiar, anticolonialidades e esferas privilegiadas e transgressoras do campo artístico. Desenvolve sua prática a partir de criações textuais, visuais e proposições instalativas e performativas, que dialogam com sistemas de poder, crítica institucional, relações de opressão, encenações de cura, resgates subjetivos e violências sociais reprimidas ou não resolvidas.

Você pode gostar de ver também